segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Onde estás, ó Deus, que não respondes!


Assim, o poeta Castro Alves inicia seu poema Vozes da África. É o lamento do Continente Africano, vendo seus filhos serem levados como animais ao mercado de escravos. Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes! Em que mundo, em qu´estrela tu t'escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos Te mandei meu grito, Que embalde, desde então, corre o infinito... Onde estás, senhor Deus? À semelhança dos versos do poeta, muitas vozes se ergueram quando aconteceu o 11 de setembro de 2001, para indagar onde estava Deus naquele momento. Por que permitiu que mais de duas mil vidas fossem destroçadas naquela manhã? Por quê? Poder-se-ia perguntar ainda onde estava Deus quando fomentamos a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Quando eliminamos seis milhões de judeus, em nome de uma inexistente superioridade ariana. E quando empreendemos as Cruzadas, levando a morte àqueles que qualificávamos como infiéis? E durante a Inquisição de tanta barbárie? E todos os dias, onde está Deus? Onde está Deus quando enganamos nosso irmão? Quando mentimos para conseguir favores que desejamos? Quando desonramos o lar, com o adultério? Quando eliminamos a vida no ventre materno, porque não desejamos o ser em gestação? Onde está Deus quando deixamos nossos filhos à matroca, sem orientação, porque preferimos a acomodação? Onde está Deus quando, utilizando o poder que o mundo nos confere, ferimos pessoas, destruímos a honra de outras vidas? Onde está Deus quando levantamos as bandeiras da pena de morte ao nosso irmão? Ou da eutanásia? Para todas as perguntas, a resposta é a mesma: Deus está dentro de nós, dentro de cada criatura. Soberanamente sábio, criou-nos a todos iguais, partindo de um mesmo ponto de simplicidade e ignorância. Criou os mundos para que neles trabalhássemos, utilizássemos nossas forças e crescêssemos em intelecto e moral. A ninguém concedeu privilégios. A todos concedeu o livre-arbítrio, com a consequente Lei de Causa e Efeito. Estabeleceu que a cada um será dado conforme as suas obras e que todos deverão chegar ao mesmo destino, não importa quanto demore: a perfeição. Ele nos permite a livre semeadura, mas estabelece que a colheita seja obrigatória. Por isso, uns semeiam ventos e colhem tempestades. Outros lançam ao solo as sementes da bondade, do bem e alcançam felicidade. Uns estão semeando hoje. Outros tantos estão realizando a colheita das bênçãos ou das desgraças que se permitiram semear. Conhecedor das fragilidades de Seus filhos, aguarda que cada um desperte, a seu tempo, cansado das dores que para si mesmo conseguiu. Portanto, não indague onde está Deus, quando você contemple a injustiça. Trabalhe pela justiça. Não pergunte onde está Deus, quando observe a violência. Semeie a paz. 
Não questione onde está Deus quando a miséria campeia. Utilize seus recursos para semear riquezas. Enfim, onde quer que você esteja, lembre que Deus está em você e com você. E espera que você seja o Seu mensageiro de bênçãos, onde se encontre. Pense nisso. Pense agora e comece a demonstrar ao mundo o Deus que existe em sua intimidade. 





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